segunda-feira, 26 de junho de 2017

Os dois caminhos

A minha estrada foi intensa.
Alternância de luz e sombra, flores e pedras, dor e amor. Assim como a da maioria das pessoas.

Até que conheci alguém que me ensinou o seguinte: “a sua estrada pode ser de flores todo o tempo. Independente do que estiver acontecendo a sua volta.” Ele retirou o véu que cobria a minha visão. Me fez despertar a primavera por onde fosse. E a minha vida se transformou.

Agora me vejo diante de uma nova bifurcação. Preciso escolher o caminho que seguirei daqui por diante. Por que a dúvida?

Vou contar como cheguei aqui:
Comecei como a Dorothy: um dia senti o Kansas sambar embaixo dos meus pés e desaparecer num furacão. Fui arremessada numa outra vida e tive que me virar com o que tinha. Sobreviver onde estava. Saí do conforto e proteção da infância para a selva que é a adolescência.

Anos depois, já na fase adulta levei aquele tombo que só um coração partido causa. E foi ótimo, sabe por quê? Me mostrou que eu tenho um! Mas demorei muito tempo para entender isso.

Citando a passagem do livro Comer Rezar Amar de Elizabeth Gilbert: “A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal...Quer dizer que a gente tentou alguma coisa.”

Não parou por aí. Foi uma época difícil. Tive que lidar pela primeira vez com a morte de um ente muito próximo. Este assunto, até então um tabu para mim, bateu na minha porta. Mas como eu não era muito boa nas lições, repeti essa matéria.

Várias vezes essa dor me visitou e eu não quis aprender a lidar. Na verdade, meu jeito de lidar era esse: perder a fé que achava que tinha, me revoltar com a vida, com as pessoas. Foi uma fase Hulk. Explodia e queria resolver tudo na força.

Até que me vi esgotada. Nem força para brigar e nadar contra a maré eu tinha. Em meio à exaustão me vi como a Alice perguntando qual o caminho? Ao passo que a vida me respondia: “quando você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve”. E sem perceber passaram-se anos de tentativas e erros.

Comecei a me despir do orgulho e segui uma das entradas. Andei por lugares tão diferentes. Trilhei uma vida que nunca teria projetado. Me senti estrangeira nesse trecho.  Era o oposto de tudo que eu tinha como sonho. Deu muito errado no começo. Parecia a pior das escolhas.

Todos esses obstáculos na estrada me ensinaram muito. Fui forjada na pancada uma vez que a minha arrogância e orgulho me impediam de me curvar diante dos ensinamentos. Achava que já sabia demais.

Tinha vontade de voltar para trás. Queria desistir. Chorar. Mas dessa vez eu já tinha aprendido uma coisa: persistir! Foi preciso colocar a casa em ordem. Sair do automático. Parar de delegar o curso da minha vida ao acaso. Chamar a bronca para mim e assumir a responsabilidade por tudo até aquele ponto.

Assisti um vídeo da Monja Coen onde ela conta a seguinte história:

“Buda dizia que os seres humanos podem ser comparados a quatro tipos de cavalos.

O primeiro cavalo, ao ver a sombra do chicote, galopa.
Este seria o ser humano que ao ouvir sobre sofrimento e dor de seres desconhecidos, começa a apreciar sua vida.

O segundo cavalo precisa ser chicoteado na pele para galopar.
É a pessoa que precisa sentir a dor ou o sofrimento de alguém conhecido, mas não muito íntimo, para começar a apreciar sua vida.

O terceiro cavalo precisa ser chicoteado até cortar o pelo e penetrar a carne.
Alguém que só começa a apreciar a vida depois de perder ou sofrer muito com as dificuldades de alguém muito amado ou próximo. 

O quarto cavalo só é capaz de galopar quando o chicote o fere até o osso.
Essas pessoas só conseguem apreciar a existência quando percebem que ela está quase a se acabar.

Que tipo de cavalo é você? Que tipo de cavalo você pode se tornar?”

Eu entendi que nessa existência já havia experimentado muitas coisas.
A sombra do chicote veio inúmeras vezes e eu a ignorei.

Depois fui chicoteada sem cessar e isso só serviu para me revoltar contra tudo. Achava que a vida não tinha o direito de me contrariar. Ousadia demais me tirar pessoas queridas, separar amores.

E as chicotadas não paravam. Pouco a pouco os valores foram mudando. Era uma forma de lapidação. Não o suficiente para me dobrar. Ainda achava que tinha o controle de tudo.

Mas a dor causada pelo chicote que rasgou a carne foi o que revelou o melhor de mim. Percebi então que eu fui o terceiro cavalo. Precisei perder a pessoa mais importante. Sofrer com ela, ver partir alguém pelo qual eu daria a minha vida sem hesitar.

Entrei na caverna de Platão. Observava a vida ao longe. Me arrastava pelo chão, arranhava as paredes em busca de uma saída. Via umas nuances de luz mas não podia alcança-la. Eu tinha que construir uma porta. Uma saída minha e somente para mim. Não caberia na de outro. E um dia, construída essa passagem, me tornei a chave.

Foi um momento de queimar o meu antigo eu até restar apenas cinzas. E num bater de asas incessante deixar nascer uma nova Fênix. Retornei à vida, firmei meus passos na estrada. Mas antes consegui sobrevoa-la como uma ave de fogo. Tive um pequeno vislumbre do horizonte sem fim que me aguardava a frente.

E assim resolvi enfrentar qualquer treva que encontrasse durante a caminhada. Neste ponto eu já tinha a força e a coragem como aliadas.

A verdade é que a dor mais intensa me acordou. E neste momento eu agradeci. Agradeci de todo coração por não ter esperado chegar ao osso para despertar.

Essa travessia me trouxe muitas coisas boas. Nem tudo foi dor e sofrimento.
O tempo lá dentro me proporcionou despir o orgulho, a autoimagem distorcida, as expectativas dos outros. Porque agora eu me conhecia. Eu confiava em mim.

Fui removendo camada a camada, pude enxergar cada versão de mim no círculo que formaram a minha volta. Eu estava sentada, todas em pé me olhando com curiosidade, esperando meu próximo passo. Não sabiam como seriam recebidas. Era a primeira vez que nos víamos assim frente a frente.

A Janaina da infância, a mais medrosa e pura me surpreendeu: teve a coragem de dar um passo à frente e me ajudar a levantar.

Em pé, com respeito e compaixão, abracei cada Janaina da minha jornada e me despedi. Foi emocionante. Teve as que eu admirei, as que me deram saudade, as que eu precisei de muito amor para perdoar, as que me apaixonei novamente, as que eu pude sentir toda dor e solidão que viveram. Para essas eu disse com ternura: “está tudo bem, eu estou aqui.”

Foi a reunião mais importante da minha vida.

Uma coisa que sinto em comum à todas: amor. Se não fossem os erros cometidos, os enganos, eu não estaria aqui. Sou a soma de tudo de bom ou ruim que cada uma produziu. E este é exatamente o lugar que eu deveria estar.

Feito as pazes nos despedimos. Com um lindo sorriso, elas se desfizeram no espaço. Porque elas não são mais. Agora eu sou! Da passagem delas ficou a luz como presente. Me disseram antes de ir que por onde eu andar, a luz irá comigo. Por isso, não preciso temer a escuridão.

Sendo assim, a construção da saída começou quando abracei a dor, a alegria, os desafios, o sucesso, o fracasso, com o mesmo sentimento: gratidão.

Não significa que tudo passou magicamente a dar certo. Na verdade apareceram problemas dos lugares mais inesperados. Mas eu sentia força e disposição para resolve-los.

A cada etapa concluída, me sentia mais forte, mais confiante. Até que me firmei diante de mim como meu alicerce. Parei de buscar a força, o apoio e principalmente a felicidade do lado de fora.

Parei também de esperar por ela. Eu não serei feliz quando...eu sou! Eu não tenho passado ou futuro. Tenho o hoje. Apenas isso.

Eu sou feliz neste momento. Eu vivo o Agora.

O agora trouxe nas minhas mãos algo que julgava ser meu grande sonho e não senti nada. Escolhi outro caminho. Vivo comigo há tantos anos e uma vez que dei voz ao meu coração me surpreendo com as decisões mais ousadas e inesperadas.

Eu achava que a minha vida e meus sonhos tinham terminado naquela madrugada. Um game over ao ver descer o caixão. Mas daí passou uma ideia na minha cabeça: “o jogo só termina quando for o seu. Enquanto o seu coração bater, enquanto você estiver disposta a lutar, ninguém vai dizer o que você pode ou não fazer. O limite sempre esteve na sua mente.

O que você quer de verdade?
Vale a sua luta?
Está se desviando ou lutando pelo seu sonho?”

E aqui estamos com todas as perguntas e essa bifurcação a minha frente. A vida me presenteia com uma escolha lúcida. Posso decidir o caminho que quero seguir. Eu sempre pude.

Então por que a hesitação?
O que impede meu próximo passo? O que me separa do meu sonho?

Talvez a liberdade esteja me assustando. Porque tenho a consciência da responsabilidade de cada decisão. Sei que ao escolher um dos caminhos estarei jogando fora tudo que existe no outro.

Preciso estar pronta para abrir mão. E conviver com a minha escolha.

Imagem

Acreditava que neste ponto eu chegaria numa conclusão. Mas como uma amiga me disse: "ele não tem conclusão mesmo! Porque é a sua história, e ela não terminou ainda".
"Seu lar ficou para trás agora. O mundo está à sua frente."

Gandalf
Mais chá? 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Organização: meu planejamento para 2017

Apesar de estarmos na metade do ano gostaria de compartilhar meu método de organização atual e as minhas descobertas mais recentes. Quem sabe seja útil para alguém ou me renda mais ideias e melhorias para o meu processo?

Então...senta que lá vem história!

Até 2016 eu tinha um sistema de organização que se resumia em um caderno e uma agenda.
O caderno era o material de apoio para:
 Listar as metas do ano detalhadamente,
 Traçar o plano de ação para cada meta,
 Desenhar os diagramas de fluxo quando necessário,
 Fazer o balanço do ano.

A agenda era uma espécie de diário/diluição das metas que eu carregava comigo:
 Para listar as metas do mês,
 Escrever os "To do" diários,
♤ Ser um diário com anotações pessoais: frases, citações... ~grudar papel de bala, fotos, etc. viva os anos 90, eu ainda não superei >.<~
 Uma lista resumida das metas do ano na entrada da agenda para olhar todos os dias e me inspirar. ~manter o foco~


Tudo sempre pensando na seguinte relação:
Com a lista de To do diário eu cumpro as metas da semana.
Somando as metas das semanas alcanço as metas do mês.
Juntando as metas de todos os meses cumpro a minha lista de metas do ano.
Pra que tudo isso?
Simplesmente porque eu adoro, alcancei muitos resultados assim e esse hábito acalma a minha ansiedade característica. Uma vez que todos os meus compromissos e sonhos saem da minha cabeça para o papel, tenho paz para investir a minha energia em outras coisas.

Então qual o ponto de partida?

Para mim funciona da seguinte maneira:
No começo do ano eu tento imaginar tudo que desejo ter realizado até o dia 31 de dezembro. Conforme vão surgindo as ideias eu identifico as metas: sonhos, objetivos que desejo alcançar ao longo do ano.

No momento de elegermos as metas devemos ser bem sinceros e gentis. De nada adianta sufocar o ano com uma infinidade de coisas para fazer e viver sob pressão. 

Feita a lista, é hora de traçar o plano de ação. Ele é a definição do que eu preciso fazer para realizar a minha meta (tempo, dinheiro, esforço, metas intermediárias).

Essa parte me traz a segurança necessária para insistir nos objetivos. Uma vez que ele me diz exatamente o que fazer para obter o resultado esperado.

As pequenas surpresas...

No ano passado surgiram novas necessidades.
Eu usei uma agenda da Tribo grande. Saí da costumeira agendinha de um dia por página da Tilibra que eu adotava todo ano. Sim! Foi simplesmente isso.

Um universo de possibilidades se abriu. Peguei gosto pela escrita diária e em pouco tempo, aquela página que parecia tão grande, estava totalmente preenchida. Precisando, muitas vezes, de post its para complementar as notas do dia!

Durante o ano também senti falta de um espaço maior para anotar as minhas impressões de leitura. Geralmente quando estou numa situação de ociosidade imposta (numa sala de espera), ou mesmo a noite projetando o dia seguinte, gosto de fazer essas anotações no papel.

Eu trabalho o dia inteiro na frente do computador, então, quando tiro esse momento para me organizar eu faço com que seja algo relaxante e prazeroso. Colo adesivos, figurinhas, uso canetas de várias cores, washi tapes.

Outro ponto foi a necessidade de um espaço para reunir todas as anotações das minhas pesquisas nos assuntos técnicos que tenho interesse, calendários mensais onde eu pudesse ter uma visão macro das minhas atividades, etc.

Nessa época me chamou a atenção os planners. Porém, eles não eram exatamente o que eu buscava. E no fundo eu queria algo montado por mim, totalmente baseado na minha rotina.
Foi assim que saí em busca de um fichário pequeno, que coubesse na bolsa, com divisórias e folhas para fazer todo tipo de anotação. Queira obter uma mistura entre o processo que eu usava nas minhas agendas dos anos anteriores e essas novas necessidades que foram surgindo.

Eu comprei o fichário e as divisórias da marca Yes-Staples. Elas já vêm com etiquetas para identificar cada divisão. 


As vantagens que percebi para o meu caso:
♡ Ficou barato e tolerante as adaptações ao longo do ano.
♡ Consigo guardar dentro dele o livro do momento e ainda carregar na bolsa.
♡ Ele é permanente, basta acrescentar ou retirar folhas, imprimir novos calendários.

O que facilita muito a criação de algo totalmente customizado é a variedade de materiais grátis para download na internet e inspirações de decoração no Pinterest. O que eu mais gostei e adotei para este ano foi o planner da Camila do blog Não me mande flores.
O trabalho dela é delicado e a cada ano ela procura trazer o que melhor atende as expectativas das suas leitoras. O link para o post do planner de 2017 dela está aqui!

Uma pequena conversa sobre metas...

Estas foram as ideias que implementei nesse começo de ano. Essa mistura de métodos que li por aí e que testei ao longo do tempo resultou nessa fórmula que funciona para mim. Mas nem o melhor e mais lindo planner do mundo garantirá o sucesso se não tivermos o seguinte: persistência!
Tudo que consegui até o momento foi usando a filosofia que aprendi em Cavaleiros do Zodíaco: “Eu vou me levantar quantas vezes forem necessárias e lutar até o fim.”

Precisamos ao longo desse caminho nos adaptar as situações que aparecem, cancelar algumas metas ou adiar, recalcular a trajetória, mas ir em frente!

Tem metas que pretendo alcançar desde 2014. Porém, a cada ano surgiram coisas totalmente inesperadas e emergências que exigiram o cancelamento destas e o encaixe das novas. Nisso, tracei o plano de ação para esses compromissos/resoluções inadiáveis que exigiram foco e dinheiro.

Sendo assim, quando faço o Balanço do ano eu repito essa meta cancelada. Eu insisto no que eu quero até conseguir.

E esses compromissos que viraram metas surpresas foram concluídos com êxito, o que não deixa de ser bom. Isso nos ensina a administrar contingências.

A vida é a certeza do inesperado, por isso, não vale a pena desanimar! Sempre teremos uma segunda chance de fazer mais e muito melhor. Basta organização, hábito e força de vontade.

Mais chá?
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