terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Balanço do ano

Desde 2014, todo fim de ano, paro por um dia para rever as minhas metas.
Tento entender tudo que aconteceu no ano, o que conquistei e porquê. 
Adoro riscar no papel cada conquista. Dá uma sensação gostosa de trabalho concluído!

Mas também analiso o que não foi possível e traço um novo plano de ação.
Verifico se essas metas que não foram realizadas ainda são relevantes para a minha vida. Se vale a pena coloca-las novamente para o próximo ano. Perguntas como:
Preciso disso? Me fará mais feliz?
É um hábito que comecei a cultivar nos últimos anos e que se tornou viciante.

Mas além de rever as metas eu tento enxergar qual foi a palavra de ordem do ano.
Essa parte é a mais importante para mim:
Verificar o que foi realmente determinante, o que aprendi. No que evoluí ou em que eu posso fazer melhor.
Qual foi a lição do ano?
Essa análise me dá uma diretriz do tipo de pessoa que estou me tornando. Se isso é bom ou não, se preciso mudar meu caminho, minhas escolhas.

Minha versão da cena do reencontro de Inuyasha e Kagome


No balanço de 2015 eu percebi que a palavra de ordem foi força.
Esse ano me levou a outro renascimento. A finalizar um ciclo e começar um novo.
Imagino que a nossa vida seja repleta de ciclos. E que dói essa passagem de um para o outro.
Foi o ano que eu senti como se fosse o fim do meu mundo. Mas também foi o ano que me levantei mesmo sentindo a maior dor que eu havia experimentado. E segui em frente.

Respondendo a seguinte pergunta, que deixei no último post, a citação de O céu está em todo lugar: "O que acontece com o pônei acompanhante quando o cavalo de corrida morre?"
O "pônei" cresce. Ele se torna o cavalo de corrida e dispara pelas campinas sem fim. Porque é assim que deve ser.

Seja o alicerce que você sente falta na sua vida. Eu descobri que a melhor forma de homenagear essa pessoa que eu tanto amo e que se foi seria essa: ser forte e viver.
“Mares calmos nunca fizeram um bom marinheiro.” - The Walking Dead
No primeiro dia do ano de 2016 eu escrevi o seguinte na minha agenda:
"O que eu trago para este ano:
Para viver, você tem que estar disposto a morrer.
Para vencer, você tem que estar disposto a perder."
Um amigo muito querido me disse isso uma vez. E não saiu mais da minha cabeça.

Como já era de se esperar, passei por muitas coisas no ano passado.
Mas foi o ano que resolvi fazer diferente em muitas situações que tinha por hábito dizer não.

Disse sim aos convites.
E isso me rendeu encontros maravilhosos com amigos e amigas de longa data.

Tive a oportunidade de ver um vídeo gravado por uma amiga numa de nossas viagens em 2005. 
Eu nem lembrava desse vídeo ~não como ele era de verdade~. Fiquei emocionada.
Eu não tinha ideia de como eu era realmente. Eu construí uma imagem a meu respeito daquela época muito distorcida. E segui anos a fio com essa impressão.

Pela primeira vez eu senti carinho por aquela pessoa. Olhei para aquela versão de mim tão distante, como quem olha para uma velha amiga: com amor.
Conheço todas as suas batalhas, lembrei dos seus sonhos. A respeito, afinal, de certa forma ela me ajudou a chegar até aqui.

Mas entendi que se o tempo voltasse, eu não caberia mais naquela forma.
Eu "cresci".

Me atirei de peito aberto nos meus projetos mais ousados. Nas minhas crenças mais loucas.
Me permiti. Não tive medo dos resultados, das opiniões dos outros.
Me libertei dessa prisão.

Assim descobri que o ano foi regido pela coragem.
"Chame-o de Voldemort. Sempre chame as coisas pelo nome que têm. O medo de um nome aumenta o medo da coisa em si." - Dumbledore.
Das pequenas vitórias que dão muita alegria na vida:
Consegui criar um novo Caderno de receitas e voltar a fazer doces depois de tanto tempo!
E o meu maior presente de todos: eu finalmente consegui desenhar. Depois de quase 10 anos de bloqueio.


É como se do nada a minha mente não estivesse mais vazia. O desenho se formou nela e eu consegui colocá-lo no papel.

Eu lembro que quando terminei de pintar, fiquei um longo tempo olhando para ele. Eu não acreditava que tinha conseguido.
Ainda estou enferrujada. Tenho muito para reaprender.

Dar esse passo me mostrou que ser forte nos mantém em pé.
Com a coragem a gente sai do lugar.
Mas com a fé, ~ah!~ chegamos onde queremos estar. O caminho se ilumina.

E por isso, neste ano de 2017, a palavra de ordem surgiu já no princípio dele: Fé. 
Esse é o ano que eu resolvi ouvir o meu coração e acreditar.
“Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.” narrador Rodrigo sobre Macabéa. Clarisse Lispector em A hora da estrela
A gratidão é mesmo uma coisa maravilhosa, não? Ela enche o nosso coração de alegria.
Um “lema” para 2017? Vou repetir aqui quatro coisas que a Patrícia Pirota disse no canal dela e eu gostei: "Beba água, use filtro solar, olhe para você. Não olhe para o outro".

Mais chá?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O céu está em todo lugar

"- O que acontece com o pônei acompanhante, quando o cavalo de corrida morre?"

Em setembro deste ano terminei a releitura do livro “O céu está em todo lugar”. 
Tinha lido pela primeira vez em maio de 2012, mas a história não havia me cativado. Na verdade eu odiei o livro na primeira vez.

Porém, anos depois...a vida mudou muito. E eu também. O livro foi escapando ano após ano da fila de desapegos, talvez por sua beleza (capa com textura, ilustrações coloridas ao longo do livro, texto em azul).

No entanto, um outro ponto o salvou definitivamente: comecei a lembrar de várias passagens dele durante o meu luto:
1- A dificuldade da Lennie para começar a se desafazer das coisas da Bailey (mesmo as roupas sujas no cesto para lavar). 
2- Ela se escondendo no armário de Bailey, se enroscando em suas roupas para se sentir abraçada através do cheiro. 
3- Querendo manter tudo exatamente como ela deixou, numa tentativa desesperada que temos de imaginar que as coisas podem ser como antes. Que a pessoa pode entrar pela porta a qualquer momento e pôr fim a essa brincadeira de mau gosto.

Numa das minhas incursões através dos pertences e seus destinos, lembrei da Lennie. Como é difícil começar. Senti empatia por ela. E pensei em reler o livro assim que tivesse um tempo. 
E neste ano a oportunidade surgiu. Acho que no fim das contas estava em busca de “alguém” que me entendesse. Precisava de uma companhia reconfortante que tivesse “compartilhado” esses momentos de dor. E eu escolhi ficar com ela por uns dias, sem expectativas, nessa nova experiência de leitura.

Sinopse:
"Eu deveria estar de luto, não me apaixonando.
Às vezes é preciso perder tudo, para encontrar a si mesmo...

Lennie Walker, obcecada por livros e música, tocava clarinete e vivia de forma segura e feliz, à sombra de sua brilhante irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre de forma abrupta, Lennie é lançada ao centro de sua própria vida, e, apesar de não ter nenhum histórico com rapazes, ela se vê, subitamente, lutando para encontrar o equilíbrio entre dois: um deles a tira da tristeza, o outro a consola.

O romance é uma celebração do amor, também um retrato da perda. A luta de Lennie, para encontrar sua própria melodia em meio ao ruído que a circunda, é sempre honesta, porém hilária e, sobretudo, inesquecível."
"Anos atrás, estava deitada no jardim da vovó e Big perguntou o que eu estava fazendo. Disse-lhe que olhava para o céu. Ele respondeu - Essa é uma concepção errada, Lennie, o céu está em todo lugar, começa aqui, aos nossos pés."
De maneira geral podemos avaliá-lo como um livro de entretenimento, leve, sem tramas complexas. Mas um bom livro. Muito bem escrito. Existem inúmeras citações ao longo da narrativa de outros autores, fatos históricos, etc. Ideal para uma tarde fria embaixo das cobertas, uma caneca de chocolate quente.

Detalhes da minha edição ^_^

Para mim, foi um pouco além disso nesta segunda chance. Talvez pelo meu envolvimento emocional com o tema central: perdas. Coisa que eu já tinha experimentado inúmeras vezes, mas não nessa intensidade.

Me vi repetindo inúmeros passos dela ao longo desse tempo: (e reavaliando cada um deles) 
1- O quanto a gente esquece que não é a única pessoa sofrendo. Acabamos fugindo dos entes mais próximos com medo das conversas, das perguntas, pensando que eles querem nos ouvir. Quando na verdade, muitas vezes estão implorando silenciosamente para serem ouvidos. 
2- A culpa que sentimos por ter ficado, por ter momentos de felicidade. Como se o nascer do Sol fosse uma afronta a nossa dor.
3- O perfume da pessoa que aos poucos vai sumindo da casa, das roupas, consumido pela rotina.
4-  A saudade da voz, das conversas. 
5- O medo do esquecimento. A vontade de espalhar as recordações por todos os cantos para nos certificarmos de que a pessoa existiu. De que não vamos esquecer nenhum detalhe.
"Um dia ouvi esta máxima: "Toda vez que alguém morre, uma biblioteca se incendeia." Estou vendo uma ser queimada diante de mim. " Lennie
Essa última é a mais marcante para mim. Eu espalhei muitas coisas pela minha casa, muito além das memórias que eu sempre tive em mural de fotos, objetos pela estante de livros. A Lennie fez algo que julgo o mais encantador do livro: ela espalhava pela cidade seus diálogos com a irmã, sua poesia, como forma de gritar a sua dor para o mundo. Usava qualquer meio que estivesse a mão: papel de bala, tronco de árvore, copo de café descartável, partituras, página de “O morro dos ventos uivantes” (seu livro preferido e lido 23 vezes O_O).

Um dos textos de Lennie. Este foi encontrado em um folheto dobrado, na calçada da rua principal.


Uma coisa que me incomodou no livro é o fato de o pai das meninas não ser mencionado em nenhum momento. Elas nunca levantaram nenhum questionamento acerca dele. Será uma falha na costura da trama?

Este livro é o primeiro romance de Jandy Nelson. Ao que parece, ela é uma pessoa supersticiosa, romântica e cheia de estranhezas como as presentes na história. ~o que dá graça na vida~

Ficha da leitura:
Título: O céu está em todo lugar
Autora: Jandy Nelson 
Editora: Novo Conceito
Ano da edição: 2011
Ano de publicação: 2011
Páginas: 423
Data de leitura: Maio de 2012
Data de releitura: Setembro de 2016
Onde comprar: Saraiva
Fonte: comprei na Saraiva do Iguatemi Campinas
Verdades: Li, reli e recomendo.
Nota(3/5)  
Capa:


Antes eu só me identificava com a Lennie por causa dos poemas dela soltos pelo mundo. Lembravam minhas cartas que escrevi ao longo dos anos e que nunca serão entregues.
Nessa releitura eu entendi cada desabafo da Len, porque hoje divido a mesma dor.
E porque a Janaina que releu este livro, acima de tudo, não é a mesma de 2012.

Mais chá?
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